Marx no Soho: Um Epílogo

Por Calvin Wu, traduzido por Maria Eduarda Sampaio de Sousa, Pedro H. J. Nardelli, Beatriz Bonach Pires Ribeiro

Em 1999, Howard Zinn publicou a estimada obra Marx in Soho: A Play on History. A história inicia com Karl Marx pedindo ao Céu para voltar à Terra por um curto período para que ele pudesse “limpar seu nome”. Um acidente burocrático enviou Marx para o Soho, Nova York, em vez de Soho, Londres, onde ele passou seus últimos anos.


Nesta peça de um homem só, Zinn retratou Marx como uma personalidade colorida com grandes ideias e paixão profunda, ao mesmo tempo, atribulado com conflitos pessoais e familiares. A história terminou com a narração profundamente humanista de Marx:

Não vamos falar mais sobre capitalismo, socialismo. Vamos apenas falar sobre usar a incrível riqueza da terra para seres humanos. Dar às pessoas o que elas precisam: comida, remédios, ar limpo, água pura, árvores e grama, casas agradáveis para viver, algumas horas de trabalho, mais horas de lazer. Não pergunte quem merece isso. Todo ser humano merece.[1]

A cortina então se fechou na imaginação de Zinn. Mas uma história tão bonita não poderia terminar na minha. Eu estava na plateia inspirado no monólogo de Marx, digitando perguntas no meu telefone, procurando uma chance de falar com Marx. Quais eram minhas perguntas? Nunca duvidei de Marx como um dos teóricos sociais mais cogentes, nem questionei a necessidade de uma revolução socialista. O que eu queria era algum esclarecimento sobre tecnologia.

No palco, Marx indagou: “Vocês têm maravilhas tecnológicas, vocês enviaram homens para a estratosfera, mas o que foi feito das pessoas deixadas na Terra?”[2] Eu concordei, mas essas maravilhas mudaram a sociedade humana, para o bem ou para o mal, não foi? Também me perguntei — a análise de Marx sobre o capitalismo do século XIX ainda se aplica hoje, com a  nossa tecnologia do século 21? Então, a história continua…


[A luz escurece no palco à medida que a cortina se fecha. Aplausos esporádicos soam ao redor do teatro. Alguém na plateia pula de um assento no corredor e corre em direção aos bastidores.]

Calvin. [Tropeça no equipamento de palco, ofegante]  Espere, Herr Marx! Não vá ainda! Eu tenho perguntas…

Marx. [Vira como quem está prestes a sair]  Desculpe garoto. A cortina já se fechou, e eu saí do palco há muito tempo.

Calvin. [Tira duas latas de cerveja dos bolsos]  Mas eu trouxe cerveja.

Marx. [Suspira e abre um grande sorriso]  Tudo bem, você me pegou! Qual é o seu nome? Me chame de Karl. Eu sei sua pergunta. Você quer saber se minha filosofia ainda é relevante na sua era de smartphones chiques, e o que está ultrapassado dentro dela. Isso já aconteceu antes.

Calvin. [Abre as latas de cerveja e entrega uma a Marx]  Quero dizer, sim, com essas tecnologias como a Internet nos conectando através de informações, tornando nossa vida muito mais fácil, não vivemos em uma era totalmente diferente?

Marx. [toma um gole] Depende do que você quer dizer com “diferente”. Vamos ver… [Olha para Calvin de cima a baixo]  então você tem um smartphone? Isso significa que os telefones não são para consumo de luxo! É possível perceber. Para você pagar por essa mercadoria, seu processo de produção deve ser bastante explorador, com alta produtividade, ou possivelmente ambos. O primeiro presume uma divisão acentuada de trabalho não qualificado sob coerção sistêmica. Este último aponta para a rápida inovação tecnológica nos meios de produção, impulsionada pela concorrência acirrada, resultando na instabilidade do valor de troca. Diga-me, quanto tempo leva para seu telefone se tornar completamente inútil no mercado?

Calvin. [Segurando sua cerveja intocada olhando para Marx com admiração]. Meu deus do… Karl, como você…

Marx. Em uma sociedade de seres humanos que devem, antes de tudo, comer, beber  [Pausas para beber cerveja],  encontrar abrigo e roupas, existem padrões.[3] As mesmas leis da produção capitalista se aplicam tanto à sua sociedade quanto à minha. É por isso que eu questionei você chamando isso de “era diferente”. Claro, é diferente porque alguns de vocês desfrutam de um padrão de vida sem precedentes.  [Enrola as mãos em torno da cerveja gelada como se estivesse maravilhado com a refrigeração]  Mas você já entendeu a raiz da questão?[4] Por exemplo, o que é a Internet? É como o mercado, onde o Estado define as regras de seu funcionamento e interfere quando chamado? É propriedade privada protegida por direitos contratuais de propriedade e estado de direito? É um bem comum como o ar e a água?

Calvin. Na verdade, hoje, a água é mercantilizada…

Marx. [Leva a mão à cabeça]  Oh! Então a Internet não é um bem livre! Se os dados podem ser propriedade de indivíduos como o cerco de terras, odeio pensar que tipo de efeito alienante eles têm. Se a automação nas fábricas transforma os homens em fragmentos de máquinas, a Internet transforma os homens em fabricações da imaginação?[5]

Calvin. [Deixa o telefone na mesa enquanto ele se senta]  Nossa,  isso é muito profundo para mim! Só sei que somos constantemente bombardeados com desinformação, propaganda e distrações da nossa realidade material.

Marx. Bem, parece-me que sua Internet é apenas outra esfera onde o capital penetra. Ao contrário do popular equívoco de definição, o capital não é apenas uma soma de dinheiro, mas um processo. Capital é o movimento perpétuo de valor que molda nossas relações sociais. Eu escrevi os três volumes inteiros sobre ele, então tenha paciência comigo!  [Goles de cerveja]  O capital aparece e se move transformando suas muitas formas — dinheiro, para mercadoria na produção, de volta ao dinheiro e de volta à mercadoria para o consumo. Isso nunca funciona bem.[6] Qualquer paralisação ou desaceleração traz o risco de depreciação.[7] O capital não é mais capital se o movimento parar.

Calvin. Ah! Então o capital é como o ônibus naquele filme; ele tem que continuar se movendo acima de 80 km/h ou explode.

Marx. [Levanta uma sobrancelha]  Hum, claro, por que não… Se você insiste nessa analogia, este ônibus realmente tem que sempre acelerar também, então ele vai bater de qualquer maneira! De qualquer forma, sua comunicação instantânea? Isso é bom para conversar com seus amigos, mas é ainda melhor para os negócios! Com o tempo e o espaço comprimidos através da tecnologia da informação e comunicação, os obstáculos dentro do processo de circulação de capital são equilibrados.[8] Com uma quantidade maior de dados acessíveis surgem sistemas de crédito sofisticados para facilitar a circulação de capital.[9] Da mesma forma, mais trabalhadores e mais arranjos na divisão do trabalho dentro e entre os setores industriais podem ser coordenados durante a produção. E a própria Internet? A mercantilização não significa apenas comprar e  vender: significa que alguém está produzindo valor excedente que é expropriado.

Calvin. Eu entendo, eu entendo! Nós, os usuários, somos os produtores que trabalham em toda a Internet! Nossas interações online produzem valor excedente para o Google, na forma de conteúdo e dados. O capital está circulando através de nós.

Marx. O que é esse Google? Não importa… Sim, é assim que o capitalismo funciona, na fábrica ou na Internet. O capital vai para todos os lugares que o trabalho produz; esta é a razão de ser da inovação tecnológica sob o capitalismo. Calvin, sabe qual foi a verdadeira razão pela qual trabalhei à exaustão para escrever essa teoria? São as pessoas. A tecnologia sob o capitalismo não tem sido gentil com as massas; por exemplo, digamos que uma peça de tecnologia… [Olha o logotipo do telefone de Calvin]  Maçã… espremedor de maçã[10], certo? Então, um espremedor aumenta a produtividade do trabalhador na fabricação de suco de maçã. O tempo de trabalho na produção, e portanto o valor, é reduzido; o capitalista pode então vender mais suco e a um preço mais baixo para ganhar uma margem de lucro durante o período em que ele mantém a vantagem  tecnológica sobre seus competidores. É por isso que a inovação tecnológica tornou-se um fetiche no capitalismo.[11] Além disso, o suco de maçã mais barato para subsistência poderia potencialmente aumentar o padrão de vida do trabalhador — assim como o seu telefone. Mas, o que acontece se a tecnologia do espremedor substituir totalmente os trabalhos relacionados à produção de suco? Eu mencionei que são os trabalhadores que produzem o valor excedente: nenhum trabalhador significa nenhum excedente! O capitalismo é irracional e cheio de contradições; a automação pode fazer com que as taxas médias de lucro diminuam —o que pode levar a uma crise — mas, ao mesmo tempo, perpetua o exército de reserva industrial. Seus economistas burgueses sempre falam em reduzir o desemprego. Mas você já viu 0% de desemprego? Acho que não. Trabalhadores disponíveis (ou seja, “livres”) são características inerentes, e não falhas, do sistema. Do mesmo modo que o capital deve estar sempre em movimento, ele também deve sempre expandir. A pobreza cresce, portanto, a uma taxa ainda mais rápida do que o rápido aumento populacional; o capital exige isso.

Calvin.  Caramba, é isso mesmo! Somos controlados de todas as formas — oferta, demanda, salários, e até reprodução!

Marx. Não se esqueça da produção. Os trabalhadores têm mentes próprias e nem sempre seguem ordens; na minha época, eles eram chamados de mãos [hands] porque os capitalistas desejavam que elas fossem tudo o que  os trabalhadores tivessem — sem mentes para pensar, sem corações para sentir, sem bocas para alimentar, apenas mãos para trabalhar. Assim, os capitalistas amam tecnologias que ou tiram você da equação, ou maximizam seu tempo de trabalho durante a produção — lembre-se, valor é tempo, então tempo é dinheiro! — eles permitem que a máquina opere você em vez de você operar a máquina.[12]

Calvin.  Não admira que a modernidade seja tão mecânica.[13]

Marx. E destrutiva. A acumulação  de capital segue um caminho para o infinito. Mas nem a natureza nem o trabalho são ilimitados. Por que tem havido um constante desenvolvimento militar, mesmo quando os políticos continuam pregando o evangelho da paz e da prosperidade? Novos mercados, novas matérias-primas e mão-de-obra barata serão todos violentamente subjugados através da tecnologia.

Calvin. Karl, na sua época, a polícia montava cavalos carregando cassetetes, talvez um mosquete aqui e ali, e seus militares usavam baionetas e canhões. Paris caiu, a Catalunha caiu, e Havana mal está se aguentando.[14] Que chances os trabalhadores do mundo têm hoje?

Marx. Meu querido ingênuo Calvin, você parece pensar que a tecnologia existe no vácuo, separada dos humanos. Você esquece que são os trabalhadores que a produz continuamente, seja em armas para destruição, autômatos na produção ou caixas de informação mágicas para comunicação. Sem trabalhadores gerando valor, o capital para. Meu otimismo vem do fato de que o poder real está no trabalho humano, não em máquinas extravagantes. Se toda a nossa classe explorada (a maioria absoluta da população mundial) chegar à seguinte decisão — “não gostamos de ser expropriados como indivíduos e, ao invés disso, iremos produzir coletivamente para as necessidades humanas” — e a partir disso agir, está feito. Mais cedo ou mais tarde, a sociedade burguesa cairá, e a vitória do proletariado será igualmente inevitável.[15]

Calvin. [Agita a lata de cerveja para ter certeza de que está vazia]  Karl, você pode realmente chamar isso de otimismo se tanto é determinado?

Marx. [Ri alto] Esperto. Eu sei que fui pintado como um determinista rígido e não científico. Ou que minha análise do capitalismo é teleológica — como se o capitalismo fosse simplesmente colapsar sozinho. Esses reacionários vulgares vão me acusar sempre que puderem porque exponho sua dissonância cognitiva. Eles apresentaram sua visão deficientede uma sociedade burguesa idealizada. Revelando suas contradições e conflitos latentes, como posso ser eu aquele que constrói uma grande narrativa? Minha teoria não determina, mas delineia a fronteira dinâmica entre o materialismo histórico e a contingência histórica. Dentro do reino da luta de classes, há um enorme potencial para a agência humana — nossa criatividade, engenhosidade, perseverança e coragem. Descrevi como os capitalistas regulam o mercado de trabalho com padrões previsíveis e de resultados devastadores, certo? O que acontece quando os trabalhadores entram em greve para exigir salários mais altos ou jornadas de trabalho mais curtas? Onde está a lei ou tendência, então? [Aumenta o tom de voz] Não há nada de teleológico na luta de classes! O movimento do capital desvia o equilíbrio através da ação coletiva; nele, tudo é possível! [Abaixa a voz] Aqui está o segredo — só podemos resolver problemas para os quais uma solução já existe materialmente.[16] Você não pode regredir a uma visão romântica que rejeita a modernidade, vendo a tecnologia como má e idolatrando uma ordem social pré-capitalista. A história se move em uma direção. Um processo produtivo cada vez mais tecnologicamente complexo exige cada vez mais trabalhadores educados; um mercado em constante expansão requer cada vez mais informações abertas. Vai saber, com a Internet e tudo mais, o que os trabalhadores podem ler… talvez um dia eles se cansem dos constantes ataques ao Marx e decidam conferir o Manifesto Comunista…

Calvin. [Começa a recitar] A história de toda a sociedade até então existente é a história das lutas de classes… [Pausa] E o futuro desta sociedade será a nossa luta de classes!

Marx. [Sorrindo] Viu? Agora você é um otimista!

Calvin. Para este futuro, eu me pergunto o que a tecnologia revolucionária implicaria.[17] Acho que a telecomunicação moderna nos ajuda tremendamente na construção de movimentos em todo o mundo, mas vejo que devemos transcender sua forma atual — de uma que mercantiliza, propaga e distrai para  uma que facilite os laços humanos genuínos, forneça educação radical e promova o acesso à informação. Devemos analisar tecnologias para entender como cada uma delas afeta o movimento do capital e vice-versa. Tomemos posse daqueles que têm o potencial de apoiar nossa luta revolucionária e emancipar os trabalhadores — meios de produção de alimentos, moradia, remédios que todos nós possamos desfrutar, enriquecendo os bens comuns — e destruamos outros que prejudicam o espírito humano — meios de consumo narcisista, mercantilização da cultura e armas de destruição.

Marx. [Acenos na aprovação]  Bom. Vá dizer a outros, e comece a trabalhar!


Notas:

[1] Howard Zinn, Marx in Soho: A Play on History (South End Press, 1999). NT: Essa peça teatral foi traduzida para o português por Tereza Briggs como Marx baixou em mim – uma comédia indignada.

[2] Ibid.

[3] “Assim como Darwin descobriu a lei do desenvolvimento ou natureza orgânica, Marx descobriu a lei do desenvolvimento da história humana: o simples fato, até então escondido por um crescimento excessivo da ideologia, de que a humanidade deve, antes de tudo, comer, beber, ter abrigo e roupas, antes que possa perseguir política, ciência, arte, religião, etc.” Friedrich Engels, Engels’ Burial Speech,”, acessado em 14 de abril de 2021, https://www.marxists.org/archive/marx/works/1883/death/burial.htm.

[4] “Ser radical é compreender a raiz da questão. Mas para o homem a raiz é o próprio homem.” Karl Marx, Critique of Hegel’s Philosophy of Right, trans. Andy Blunden (North Charleston, SC: Createspace Independent Publishing Platform, 2015)).

[5] Este é um jogo de palavras. Em O Capital: Volume 1, Marx escreveu que as máquinas transformam o trabalhador em um “mero fragmento de homem.” Fragmento também se refere a uma parte da escrita de Marx em seu fragmentado caderno. Fragmento sobre as  máquinas tipicamente se refere ao segmento em Grundrisse onde Marx discutiu as máquinas e indústria moderna.

[6] “Como se pode ver, a mercadoria ama o dinheiro, mas ‘o curso do amor verdadeiro nunca fluiu suavemente.’.” Karl Marx, “Economic Manuscripts: Capital: Volume One“, acessado em 14 de abril de 2021, https://www.marxists.org/archive/marx/works/1867-c1/.

[7] “A rotatividade mais frequente do capital em um determinado período de tempo se assemelha às colheitas mais frequentes durante o ano natural… Assim como o grão quando é colocado no solo como semente perde seu valor de uso imediato, ele é depreciado como valor de uso imediato, também o capital é desvalorizado a partir da conclusão do processo produtivo até sua nova transformação em dinheiro e a partir daí para se transformar em capital novamente.” Karl Marx, “Grundrisse“, accessed 14 de abril de 2021, https://www.marxists.org/archive/marx/works/1857/grundrisse/.

[8] “O capital por sua natureza vai além de todas as barreiras espaciais. Assim, a criação das condições físicas de troca – dos meios de comunicação e transporte – a aniquilação do espaço pelo tempo – torna-se uma necessidade extraordinária para ele.” Karl Marx, “Grundrisse“, acessado em 14 de abril de 2021, https://www.marxists.org/archive/marx/works/1857/grundrisse/.

[9] “[A] velocidade do  dinheiro fluindo como meio de circulação… depende inteiramente do fluxo de compras e vendas, e da cadeia de pagamentos, na medida em que ocorrem sucessivamente em dinheiro. Mas o crédito causa e assim aumenta a velocidade de circulação.” Karl Marx, “Economic Manuscripts: Capital: Volume Three“, acessado em 3 de maio de 2021, https://www.marxists.org/archive/marx/works/1894-c3/.

[10] NT: Apple…juicer é um jogo de palavras com a marca de telefone Apple, mais recente, e a tecnologia antiga “apple juicer”, com a qual Marx aparenta ser mais familiarizado.

[11] Aqui, “fetiche” é usado da mesma forma que em “fetichismo das mercadorias”. Fetiche surge quando a algo é atribuído um poder e um significado que não lhe são intrínsecos. Fetiche pela tecnologia surge em uma infinidade de maneiras. Por exemplo, o aumento da produtividade através da tecnologia gera mais-valia relativa e, como tal, os capitalistas desenvolvem um fetiche que confunde o avanço tecnológico com uma valorização intrínseca. Ver David Harvey, The Fetish of Technology: Causes and Consequences,Macalester International 13, no. 1 (2003): 7..

[12] “[É] a máquina que possui habilidade e força no lugar do trabalhador, é por si só virtuosa, com uma alma própria nas leis mecânicas agindo através dela; e consome carvão, petróleo etc… assim como o trabalhador consome alimentos, para manter seu movimento perpétuo. A atividade do trabalhador, reduzida a uma mera abstração da atividade, é determinada e regulada em todos os lados pelo movimento do maquinário, e não o oposto.” Marx, “Grundrisse“.

[13] “Essa relação econômica… desenvolve mais pura e adequadamente na medida em que o trabalho perde todas as características de arte; à medida que sua habilidade particular se torna algo cada vez mais abstrato e irrelevante, e à medida que se torna cada vez mais uma atividade puramente abstrata, uma atividade puramente mecânica…” Marx, “Grundrisse“.

[14] A Comuna de Paris, o primeiro autogoverno democrático dos trabalhadores, sobreviveu por dois meses em 1871. A Catalunha Revolucionária, um estado sindicalista/sindicalista operário, lutou contra o regime fascista de Franco por três anos antes de perder a Guerra Civil Espanhola (1936-1939). O legado da Revolução Cubana sobreviveu num contexto de constante ameaça do imperialismo dos EUA (assim como do neoliberalismo hoje), com progressos em direção a uma genuína democracia de trabalhadores bloqueados desde sua fundação em 1953.

[15] “Com o desenvolvimento da grande indústria, subtrai-se portanto à burguesia a própria base sobre a qual ela produz e apropria-se dos produtos. Ela produz em primeiro lugar o seu próprio coveiro. A sua derrocada e a vitória do proletariado são igualmente inevitáveis…” Karl Marx e Friedrich Engels, Manifesto do Partido Comunista: O Manifesto Comunista (Classic Books Publishing, 2009).

[16] “A humanidade, portanto, inevitavelmente se coloca apenas tarefas que ela mesma é capaz de resolver, uma vez que um exame mais aprofundado sempre mostrará que o problema em si só surge quando as condições materiais para sua solução já estiverem presentes ou pelo menos no curso da formação.” Karl Marx, “Economic Manuscripts: Preface to A Contribution to the Critique of Political Economy“, acessado em 16 de abril de 2021, https://www.marxists.org/archive/marx/works/1859/critique-pol-economy/preface.htm.

[17] “Em uma sociedade comunista, existiria um escopo muito diferente para o emprego de máquinas do que pode existir em uma sociedade burguesa.” Marx, “Economic Manuscripts: Capital: Volume One“.

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